Siga nesta breve jornada nos sabores do Café
Um dos melhores momentos é a pausa para o cafezinho ou aquela pergunta: Vamos tomar um café?
Assim, atualizamos conversas, resolvemos pequenos conflitos, esclarecemos dúvidas, decidimos novos caminhos ou comemoramos um grande feito no dia.
Café, uma das bebidas quentes mais consumidas no mundo, permite essa jornada, fazendo da pausa o combustível para chegar até o final do caminho.
Por ser uma bebida tão necessária para muitos, nada mais justo e coerente do que a busca por novos sabores de café para justificar e memorizar com fortes detalhes as grandes pausas do dia.
O melhor café é aquele que você gosta e sempre lembra ao procurar nas prateleiras de mercados e sites de compra.
Podemos optar pelos sabores mais populares ou mergulhar na complexidade de notas que os cafés especiais trazem ao nosso paladar.
Aspectos que devemos buscar em um café de qualidade: acidez, o corpo e a sua finalização.
Acidez: é a sensação brilhante e refrescante do café, não relacionada ao amargor do grão. Exemplo: um café de alta acidez tem notas mais próximas de frutas.
Corpo: refere-se à sensação do líquido na boca. Um café encorpado tem uma textura mais densa, enquanto um café de menor corpo transmite uma sensação de leveza.
Finalização (Aftertaste): é o sabor que permanece na boca após o consumo do café, podendo ser doce, frutado ou amargo.
Para este mergulho , não é obrigatório, mas alguns pontos são importantes conhecer:
Principais tipos de processo de torragem do grão de Café
Um aspecto que influencia diretamente as notas de sabor do café é a técnica de torra do grão.
Durante a torra, os grãos de café são aquecidos a altas temperaturas, o que causa mudanças químicas que realçam seus óleos essenciais e açúcares naturais.
Dependendo do método de cultivo e do cuidado com a semente, chegamos a diferentes formas de torrefação em todo o Brasil.
As técnicas de torra mais comuns para o café são:
Torra Clara (Light Roast): O café adquire uma cor marrom-clara
processo de torra é mais curto, o que preserva mais o sabor original do grão. O café tende a ser mais ácido, com notas cítricas ou florais.
Torra Média (Medium Roast): A cor do café tende a marrom médio
Mantém um melhor equilíbrio entre acidez, doçura e corpo, acentuando mais o aroma do café. Revela algumas notas de chocolate, caramelo e frutas maduras.
O tempo de torra é mais longo, próximo de 10 minutos.
Torra Média-Escura (Medium Dark Roast): A cor do café tende a marrom escuro
O café torna-se mais encorpado e pode apresentar óleos na superfície. Também pode desenvolver um leve toque tostado e menor acidez. Apresenta notas de chocolate amargo e caramelo intenso.
Normalmente, o tempo de torra não deve ultrapassar 14 minutos.
Torra Escura (Dark Roast): A cor apresenta-se bem escura, quase preta
Muito utilizada em cafés comerciais ou blends voltados ao público em geral.
Apresenta amargor mais presente e grande presença de óleos, devido à ruptura da estrutura do grão.
O tempo de torra é superior a 14 minutos. Embora seja ideal para um espresso encorpado, pode apresentar-se com menos vivacidade e menor complexidade de sabores.
Ótima opção para consumo com leite.
Contamos com diversas regiões reconhecidas pela alta qualidade dos seus grãos.
Cada uma possui características específicas de solo, clima e altitude que influenciam diretamente o perfil de sabor do café.
Principais regiões produtoras
Minas Gerais
Maior produtora de café do Brasil, abriga várias sub-regiões com diferentes perfis de café, sendo conhecida por sua produção de cafés especiais.
Localidades de referência em Minas Gerais
Cerrado Mineiro
Café de sabor encorpado, com notas de chocolate, acidez balanceada e final suave.
Sul de Minas
Cafés complexos, com notas de frutas, caramelo e boa acidez.
Mantiqueira de Minas
Café com acidez brilhante, corpo aveludado e sabores frutados, além de notas florais.
Rondônia
Principal região produtora de café robusta (conilon) na Amazônia.
Localidades de referência em Rondônia
Robusta Amazônico
Café com notas de especiarias e amargor mais intenso.
Paraná
Destaca-se na produção de cafés de alta qualidade no cenário dos cafés especiais.
Localidades de referência no Paraná
Norte Pioneiro
Café de sabor suave, com boa acidez, corpo médio e notas doces e frutadas.
Bahia
Uma região relativamente jovem na produção de café.
Localidades de referência na Bahia
Chapada Diamantina
Cafés com notas florais, frutadas e até especiarias (grãos finos)
Planalto da Bahia
Sabor encorpado, acidez equilibrada e notas de frutas cítricas e chocolate.
São Paulo
O estado de São Paulo é tradicional e histórico na produção de café, com os produtores tendo influência até mesmo na política nacional.
Localidades de referência em São Paulo
Mogiana
Localizada na divisa entre São Paulo e Minas Gerais, produz cafés encorpados, doces, com notas de chocolate e nozes.
Alta Mogiana
Sub-região da Mogiana, com notas de frutas vermelhas, caramelo e chocolate..
Espírito Santo
Maior produtor de café robusta (conilon) no Brasil.
Localidades de referência no Espírito Santo
Montanhas do Espírito Santo
Perfil suave, acidez marcante, com notas de frutas cítricas e florais.
Conilon Capixaba
Perfil mais amargo, com notas de nozes e chocolate amargo.
Influência dos Processos de Pós-Colheita
Grãos processados por via seca
Quando os grãos são secos de forma natural (em um terreiro), os produtores não retiram a polpa da fruta nem a mucilagem (uma película fina que protege o grão).
A umidade é reduzida lentamente até que o grão esteja pronto para os processos iniciais da torra.

Cafés preparados dessa forma tendem a ter sabores mais doces e frutados.
No método de via úmida (lavado)
A casca e a mucilagem são retiradas dos grãos.
Os grãos são colocados em tanques com água por 12 a 48 horas, após esse período, a polpa é removida.
As sementes são levadas ao terreiro e, posteriormente, ao processo de torra.
Durante a imersão, os grãos que não afundam (menos densos) são descartados, pois não são adequados para a secagem/torra.

Os cafés processados por via úmida tendem a ter notas mais ácidas.
Vamos falar de Notas de sabores no café
Sabe aquele detalhe que sentimos ao provar as várias marcas e tipos de cafés?
São as notas de sabores. Pequenas memórias de outros sabores!!!
Esta diferenciação é o resultado da combinação de vários fatores, como:
Origem do grão
Características da localidade onde o café foi cultivado.
Cafés da América Latina, como os da Colômbia e do Brasil, tendem a ter sabores mais achocolatados e remetem ao gosto de nozes.
Método de processamento (pós-colheita)
Grãos processados por via seca (natural) costumam ter sabores mais doces e frutados, enquanto os processados por via úmida (lavado) são mais limpos e ácidos.
Tipo de torra
Torras mais escuras, com maior tempo, levam a sabores mais amargos e caramelados.
As torras não tão intensas mantêm as particularidades do grão e recriam notas mais doces e frutadas.
Principais tipos de notas de sabores no café brasileiro
A diversidade de grãos, regiões e técnicas de preparo são grandes no Brasil, mas alguns sabores são mais presentes e permitem diferencia-los, sendo:
| Tipo | Características |
|---|---|
| Frutadas | podem variar de frutas cítricas (limão, laranja) a frutas vermelhas (morango, framboesa) e frutas tropicais (manga, abacaxi). |
| Florais | Florais: essas notas remetem a flores como jasmim, lavanda ou rosas. |
| Cítricas | sabores próximos a limão, laranja ou tangerina. |
| Doces | sabores como caramelo, mel, açúcar mascavo ou melaço. Achocolatadas: sabor de chocolate ou cacau. |
| Especiarias | canela, noz-moscada ou cravo. |
| Nozes | amêndoas, avelãs e nozes. |
| Caramelizadas | caramelo, açúcar queimado ou toffee. Defumadas: fumaça, carvão ou tabaco. |
| Defumadas | fumaça, carvão ou tabaco. |







